"Jornalismo" Indigesto - TV e Afins #05


Este artigo escrito por Laurindo Leal Filho retrata a situação da televisão brasileira, em especial os telejornais, da hora do almoço, que muita vezes acabam por levar ao telespectador uma verdadeira carnificina ao vivo em plena hora da refeição. Ele afirma que apesar das dificuldades de deslocamento em virtude da rotina agitada ainda existem muitas pessoas que almoçam em casa, ou almoçam em outro lugar, com a TV ligada.
Laurindo começa falando sobre uma atitude, que eu considero extremamente absurda, que é a exibição de justiceiros arrastando um homem para a morte, com o som dos seus apelos desesperados pela vida, das ordens de atirar dos tiros, das recomendações para crianças saírem de perto e das chamas consumindo a vítima. As citadas imagens foram exibidas no programa Cardinot Aqui na Clube, na TV Clube do Recife. É vergonhoso ver tal coisa ser exibida na televisão, ainda mais em horário do almoço. Segundo Laurindo, a situação se repete em outros “telejornais” da região nordeste, como o Plantão 190 da TV Jornal em Pernambuco e o Ronda Geral da TV Tribuna. Cito ainda como exemplo as diversas versões do Balanço Geral, da Rede Record, espalhadas pelo país.
Assim como diz o autor do artigo eu acredito que não é porque tal fato acontece (as notícias policiais graves, por exemplo) que deve ser explorado, espremido, torcido até literalmente sair sangue. Existe a liberdade de imprensa, existe. Mas os jornalistas devem fazer o bom uso dela para passar a informação de uma forma menos agressiva. Porém, o que vemos nesse estilo de telejornais (ou telebarracos/teleapelativos, como preferir) é um apresentador “saltitante”, que geralmente tem uma voz aguda e que fica berrando o tempo todo e quase sempre repetindo a mesma “notícia” por um bom tempo. O resultado é uma atração que assusta o telespectador e faz com que a refeição seja totalmente indigesta.
É preciso que o público reaja contra este tipo de atração na televisão e pare de assistir este tipo de conteúdo, porque na minha opinião se tem algo na televisão e ele continua a ser exibido é porque tem quem assista. Porque como disse o autor do artigo, o público muitas vezes gosta de baixarias, e se o povo gosta, está na TV.

Veja alguns exemplos do que eu tô falando:



Falando sobre Rafinha Bastos (atrasado) - TV e Afins #04

Rafinha Bastos - Rubens Cavallari/Folhapress
Rafinha é conhecido por seus comentários ácidos em relação aos mais diversos temas, como dizer que “mulheres feias deveriam agradecer caso fossem estupradas, afinal os estupradores estavam lhes fazendo um favor, uma caridade” e mais recente, dizer sobre Wanessa Camargo “comeria ela e o bebê”.
O humor é subjetivo, cada um entende como engraçado ou como cômico aquilo que lhe convém. Concordo com o autor do artigo quando ele diz que a piada sobre Wanessa Camargo foi extremamente infeliz e desrespeitosa. Mas será que é realmente necessário fazer toda uma especulação ao redor do fato? Eu acredito que não. Para mim, bastaria um pedido de desculpas ao vivo, reconhecendo que a piada foi ofensiva e de mau gosto e pronto. O que acontece é que o marido de Wanessa Camargo é dono de uma agência de publicidade que produz anúncios para o CQC, e logo que o fato aconteceu, ele já se mostrou extremamente desconfortável e divulgou sua insatisfação aos quatro ventos, inclusive ao seu sócio Ronaldo (“fenômeno”), que é amigo de Marco Luque. O que eu penso é que a Band e a Eyeworks (dona do formato CQC), que não são bobas nem nada, preferiram afastar o humorista por tempo indeterminado do que arriscar perder algum anunciante. Ou seja, é melhor agradar o “poderoso” anunciante, do que perder dinheiro. 
Creio que o humor não pode ser ofensivo, mas também não pode ser repreendido á este ponto. Agora existem notícias na internet que Marcos Buaiz (marido de Wanessa) pode pedir uma indenização para o Bebê (que ainda nem nasceu!) e também pedir a prisão de Rafinha Bastos. Assim como disse o autor do artigo, a sátira deve ter liberdade, punir a sátira é “arrancar os braços” do livre exercício de opinião. Rafinha quis ser ofensivo, desrespeitoso? Talvez sim, talvez não. A piada também pode ser entendida pelo viés dos “tabus” presentes ao ter relações sexuais durante a gravidez. Agora Rafinha se vê acuado, pois pensa “que tipo de piada eu vou poder fazer?” e inclusive chegou a pedir demissão da emissora.
A piada foi um lixo, desrespeitosa e desnecessária? Foi. Isso não podemos discutir. Precisava de toda essa “inflamação”? Não. E digo mais, se não fosse a “grandiosa” Wanessa a ofendida e o “grandioso” Marcos Buaiz anunciante do programa, a situação seria outra. Podemos até lembrar de outra situação (que eu considero mais grave que a de Rafinha), onde Bóris Casoy ofendeu garis que desejavam feliz ano novo aos telespectadores do Jornal da Band não foi suspenso pela emissora, pois tinha nenhum “peixe grande” envolvido. Resultado: no dia seguinte lá estava Bóris, com um pedido de desculpas esdrúxulo e esfarrapado, como se nada tivesse acontecido. Que diferença, não?

Agora a relação Rafinha e Band está totalmente desgastada, e existem boatos de que Rafinha seria uma das estrelas do canal por assinatura Fox Sports. Será?

Cuidado Garotada! - Tech #03

Este artigo de Emily Bazelon traduzido por Celso Paciorni fala sobre as crianças estarem entrando cada vez mais cedo no mundo da internet e sobre o Facebook aceitar crianças somente acima de 13 anos, mas possuir mais de 7 milhões de usuários abaixo dos 12 anos, o que preocupa a justiça, já que é proibido na lei americana que sites recolham informações de crianças abaixo de 12 anos.
Sou uma pessoa que acredita que a evolução tecnológica pode (e deve!) ser usada para o bem, desde que seja feita com consciência e respeitando alguns limites. Crianças abaixo de 12 anos já acessarem a internet, para mim, é um desses limites que não deveriam ser ultrapassado.
Já existem estudos que comprovam que a exposição de crianças muito cedo à tecnologia pode causar problemas de desenvolvimento, psicológico e até problemas de postura. O caso é que não são só crianças de “12 anos” usam esse tipo de ferramenta, mas também  crianças muito mais novas, de 7~8 anos que nem sabem ler e escrever direito e já estão usando redes sociais. Na minha visão isso prejudica o desenvolvimento, pois a criança passa a conviver com a “linguagem” da web muito cedo, e acaba trazendo aquilo para a “vida real”, tendo seu aprendizado prejudicado.
Não sou hipócrita ao ponto de sair por aí dizendo “Proíbam as crianças de 12 anos de mexer no computador! Peguem as tochas!”, porque aliás, eu mesmo comecei a usar o computador há 6 anos atrás, com 11 anos. Mas qual era o uso do computador pra mim? Usava o Orkut, sempre com meus pais passando o olho pra verificar, usava o google para algumas pesquisas de escola, usava o e-mail para receber boletins de alguns sites de charges e piadas, usava alguns programinhas educativos em CD e usava para aprender a fazer montagens de vídeos e fotos com o Photoshop e o MovieMaker.
Mas a diferença de seis anos para cá é que os pais acabam por não tomar conta dos filhos no computador e o tempo que as crianças passam em frente aos dispositivos eletrônicos é muito maior que há 6 anos atrás. Eu utilizava o computador pouco tempo, cerca de uma hora, durante a noite. Durante o dia eu estudava, saía pra brincar na rua, fazia cursinho e à noite fazia karatê.
Hoje em dia se deixar as crianças ficam em casa, na frente do computador o tempo inteiro. Ainda mais nos grandes centros urbanos, onde “sair pra brincar na rua” é uma coisa meio difícil (quase impossível!) de acontecer. É preciso tomar cuidado, para que essa nova geração que está vindo aí seja ajudada (assim como eu acredito ter sido ajudado) pela tecnologia. E não atrapalhada.


Até mais :D